terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sense and Sensibility

Viajar para mim sempre foi mais do que sair de férias. Sempre significou conhecer, descobrir, desbravar. O lugar, o outro, eu mesma. E definitivamente, esta tem sido uma delas. Conhecer histórias de lugares e personagens que só vi nos livros da escola e, principalmente, conhecer histórias e estórias de gente. 
Hoje, brinquei com as minhas roomates que considero andar pelas ruas e ir ao pub é praticamente uma aventura sociológica e antropológica. Elas riram, mas é sério! Londres proporciona observar pessoas que vêm de todos os lugares do mundo que você imaginar. Ou não. Culturas que se refletem no modo que se vestem, que se comportam, na língua que falam. There's no place like London nesse quesito. O ônibus e o metrô são torres de Babel que me transportam não apenas geograficamente.
De algumas dessas pessoas, tenho tido a oportunidade de chegar perto na escola, em pequenas viagens, em casa, no parque.
Além de observar, ao poder ouvir um pouco, é interessante e reconfortante perceber que apesar de qualquer diferença de qualquer tipo, a ânsia de viver intensamente essa experiência nos une, ainda que por pouco tempo, como acontece na maioria das vezes. Queremos ver tudo, sentir tudo, conhecer tudo. Agora, já, right now! Mas também queremos dar um tempo do cotidiano para avaliarmos com calma o que tem sido feito de nossas vidas, o que querem que seja feito de nossas vidas e o que queremos que seja feito de nossas vidas. A conclusão é sempre que queremos o melhor. Merecemos o melhor, seja lá o que isso signifique. Nessa hora, qualquer passeio ou café se torna um divã em que compartilhamos nossos desejos, angústias, euforia, expectativas, aventuras, saudades... Todo mundo fica mais aberto. Há quem diga mais frágil.Vemos uns aos outros como num espelho, um igual, que compreende, ensina, escuta, aprende com as jornadas de cada um. É nessa hora que a gente vê que todo aquele senso comum que você ouviu antes de partir, como "é loucura", "é muita coragem", "é idiotice", transforma-se em "é vida", "é juventude". É tudo sempre muito rápido, mas muito intenso. Como é Londres. Como pode ser a vida.Assim, não é incomum que grandes amizades ou amores aconteçam. Que  fugazes amizades ou amores aconteçam. Que inesperadas amizades ou amores aconteçam. Aqui, muitas vezes, é a diferença que nos atrai.
Cada um está em busca do seu sei lá o que, sempre de passagem. Ontem, em uma das habituais despedidas, uma menina da Bulgária aprendeu a falar em português "vou sentir saudade de vocês". Pois é, o substantivo "saudade" existe apenas em português, uma vez ouvi, e compartilhei com ela. 
Às vezes, é preciso sair pra poder voltar.


*Originalmente postado nas notas do Facebook no dia 2 de outubro

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

I’m (in) London

"Take a deep breath and dive

There's a beautiful mess inside

How can you stay outside?

There's a beautiful mess

Beautiful mess inside"

(Far Far - Yaël Naïm)


Londres não é a garota mais popular e linda da escola, como Paris. Não é liberal como Amsterdam, nem sensual e colorida como Barcelona. Na verdade, sua fama é de ser cinzenta, sisuda, educada, mas fechada. Com um ar de antiga e um “que” de tradicional, representada por sua família real, construções antigas e museus. À primeira vista, é o que você vê de cima de um ônibus de turismo num feriado. Contudo, para quem tem tempo (e o privilégio) de conhecer mais do que seus pontos turísticos, ela mostra seu lado vibrante, moderno que, sim, convive nesse mesmo espaço, nesse mesmo corpo. Um corpo que abriga gente de tudo quanto é lugar, de tudo quanto é jeito.


Talvez não seja tão fácil se apaixonar por ela de cara. É preciso se dedicar a conhecê-la um pouco mais, ver mais do que o aparente caos organizado que ela apresenta. Ao se dispor a enfrentar o dia nublado e a garoa fina, sempre encontrará um lugar que te acolherá, com a sua cara. Sim, se transpassar a tal casquinha de frieza, descobrirá que ela esconde lugares incríveis que parecem que são só seus. E são mesmo.


Valerá a pena, prometo. Sua beleza é peculiar, para aqueles que vêm além...


sábado, 12 de novembro de 2011

Happiness

Ladies and gentlemen, hoje foi um daqueles dias em que me senti uma otimista. Caso raro, quem me conhece, sabe. Enquanto caminhava pelo Thames Path, eleito meu lugar favorito para pensar na vida, rolou uma epifania. Estou me sentindo feliz. O melhor é que não é aquela felicidade plena, continuo não acreditando nela, por mais otimista que um dia eu acorde. Para mim, esse é o tipo de felicidade que se espera ao ganhar na loteria sozinha e encontrar o príncipe encantando (ao mesmo tempo, é claro). Ou seja, é algo pra correr atrás como ratinho na rodinha dentro da gaiola.

Não, alcancei aquela felicidade que se sente num dia comum, aquela que existe apesar da falta, da adversidade, da incerteza. Aquela que não vem acompanhada da segurança e, por isso mesmo, é mais livre. Quando percebi isso, deu até vontade de chorar.

E, para quem ainda me pergunta se me arrependo de ter vindo, posso dizer, com certeza, que não. Qualquer medo se esvaziou com o fato de que sinto uma felicidade que há muito tempo não sentia e, por um período, achei que nunca mais sentiria. Aquela que dá vontade de chorar, porque é real. Aquela que não depende de ter tudo o que quer, mas de se sentir bem e em paz, apesar dos pesares. Aquela que talvez não seja para sempre como nos contos de fadas, mas é memorável.